domingo, 23 de dezembro de 2007

O ESPANTALHO


Por: Hélio Costa

Era uma vez um espantalho... espantalho feio, desses que agente vê nas plantações para afugentar os pássaros. Todos os dias, quando ia para a escola eu o via. Sem saber exatamente o porquê, eu parava e ficava olhando e olhando pra ele... lembro que em minha mente de criança eu pensava: pobre espantalho... sempre no mesmo lugar, solitário, calado, silencioso... será que ele tinha amigos? Namorada? Irmãos... o meu pensamento de criança inocente voava longe, fervilhando em mil indagações...

Cresci. Fiquei moço... adulto... envelheci! Penso que a vida também cresceu ou decresceu? Não sei... v erdade é que tudo mudou. Eu mudei. A vida mudou. Tudo!

Hoje, andando pelas ruas da vida, parado nas esquinas do mundo, observando a face macilenta de pessoas agitadas e inquietas, que, em desespero, correm freneticamente na luta insana pela sobrevivência e, às vezes pela ganância; volto no tempo e a figura do velho espantalho me vem à mente: imóvel... solitário... sem amigos, sem namorada, sem irmãos... não sei porque, paradoxalmente, uma estranha comparação começa a se formar em meu pensamento: as pessoas de hoje, no mundo de hoje, com seu rítmo alucinante e desenfreado, assemelham-se ao velho espantalho do meu passado. Não na aparência... não na imobilidade; mas na solidão, na finalidade: como aquele, também vivem solitárias, afugentando os pássaros da paz... do silêncio... da vida!

sábado, 22 de dezembro de 2007

O BRILHO DA LUA

Por Hélio Costa

Madrugada. A lua, pálida e solitária, brilha intensamente. Gostou? Frase poética, não é mesmo!
Debruçado em minha janela, extasiado, contemplo o "brilho da lua".
Você já viu a lua brilhando de madrugada?

-Claro que já - responderia você, irônico - E daí? O que tem isso? Você perguntaria mais irônico ainda.

É... agora você me deixou sem jeito e acabrunhado. Fiquei chateado mesmo, sabia? Chateado, porque eu ia dizer que a lua brilhando de madrugada é romântica e poética; que não existe espetáculo mais deslumbrante que o brilho da lua de madrugada... Eu ia dizer que o brilho da lua é lindo, fantástico, maravilhoso, deslumbrante. Mas você me "tirou da jogada." Tirou mesmo! Perdi toda a inspiração poética. Meu romantismo "volatizou-se"abruptamente de forma sutil e imperceptível. E por que não dizer: incontrolável também. Sim, incontrolável. Pois, por mais que eu queira, não consigo dar vazão aos meus sentimentos poéticos, e continuar falando sobre o esplendor do brilho lunar.

Credo! Como estou ficando sensível! Só porque você disse: "E daí? o que tem isso? Fiquei completamente "arrasado" poeticamente falando.

Brincando com palavras: NA NOITE

Hélio Costa

É noite. É noite e os cães ladram. Que tal? Ficou bonito não é? "Os cães ladram." Pois é... os cães estão ladrando! Penso: será que os cães estão ladrando por causa de algum ladrão? Ouça pisadas leves no ladrilho.... Será que é o ladrão que está pisando no ladrilho e fazendo os cães ladrarem?

A noite é seca e fria. Ouço alguém assobiando, como se estivesse dando um sinal. E se for? No ladrilho, silêncio... os cães já não ladram. E o ladrão?

Abro a janela. Uma lufada de vento frio invade meu pequeno quarto. Ouço novamente, agora longe, "ladridos" de cães. Seriam os mesmos cães que ladrando estariam? Não sei! Quem sabe? Porque ladravam, também não sei. Quem sabe seria outro ladrão que pisava em outro ladrilho fazendo outros cães "ladrarem"; enquanto outro alguém abre outra janela na mesma noite fria e recebe uma lufada de vento...
É noite. É noite e os cães ladram.

Brincando com palavras... ELE

Um dia ao atravessar a rua dei de cara com ele. A rua era estreita. Bem poderia ser chamada de ruela. Ruela? Engraçado... palavra esquisita! Será que ela existe? Bem... deixa pra lá. A rua era estreita e pequena. Era mesmo uma "ruazinha". Ali, bem no meio daquela rua pequenina nos encontramos. Ficamos parados. Estáticos (ou "Estatuáticos", já que ficamos parecendo duas estátuas). Ele não dizia nada e eu também não. A gente ficou se olhando fixamente: olho no olho. Olhares hipnóticos, diria... Eu não sei o que ele pensava enquanto me olhava. Também não sei o que eu olhava, enquanto pensava. O fato é que ele me olhava enquanto eu pensava. O tempo ia passando e eu pensando... Enquanto ele estava ali, me olhando e ficava pensando: Por que será que ele está me olhando? Será que também estará pensando? Ou só olhando? Fiquei cismando... Como ele continuava me olhando eu continuava pensando... E se eu for andando? Continuaria ele me olhando? Só experimentando... Lentamente fui caminhando. Olhei para trás : ainda estava me olhando. Então eu fui pensando: Quem seria aquele sujeito?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sorria! Seja Feliz!!

"Hoje é o amanhã que tanto nos preocupava ontem".

Motivo

Hélio Costa

Sou poeta e sou feliz,
sou feliz e sou poeta.
Como Cecilia Meirelles diz:
"e a minha vida está completa".

Divagando... em versos



Hélio Costa

Sentado na praça,
vejo gente que passa
encolhida de frio.
Dia fechado,
escuro e nublado,
no sul do Brasil.

No pipoqueiro, ao lado,
o rádio ligado,
o locutor informando:
"Continua frio,
no sul do Brasil".
Meu Deus! Até quando?
Praça Santos Andrade - Curitiba, 03/10/85

O último ônibus

Hélio Costa

A noite estava úmida e fria. Um vento gelado e cortante rodopiava pelas ruas desertas e sombrias.
Passava da meia-noite, quando o último ônibus deixa Antônio Fagundes no terminal rodoviário. Uma garoa fria e fina começa a cair.

Antônio arruma o boné na cabeleira rala e acaricia o pequeno embrulho que havia colocado ao lado da marmita, na velha sacola encardida. Ao tocar no volume e sentir a "lisura" do papel colorido, esboça um leve sorriso: pensa na alegria do caçula quando, lentamente, fosse abrindo o pacote colorido, tão logo chegasse em casa.

Agacha-se, arregaça a calça desbotada, amarra o cordão amarelado do velho tênis descolorido e num ímpeto, levanta-se vigorosamente lançando-se pela noite escura de peito estufado e cabeça erguida, como um garboso guerreiro que retorna ao lar depois de ter vencido mais uma batalha. Caminha firme pela noite adentro.

Um bom trecho pela frente... não tivesse perdido o ônibus anterior teria alcançado o "alimentador"... mas agora... o jeito era "tirar no pé", debaixo da garoa teimosa que caía incessantemente naquela noite escura.

Ninguém na rua. Tudo era silêncio e solidão naquela sexta-feira, dia 10 do mês. Antônio, quase podia escutar as batidas do próprio coração, enquanto, com passadas largas e firmes, deslizava pela estrada escorregadia.

Quase chegando - pensava - dentro de alguns instantes estaria em casa... a esposa, como era de costume, viria recebê-lo à porta assim que ouvisse as três batidas compassadas, conforme o combinado.

Será que o pequeno ainda estaria acordado, esperando o carrinho de pilhas que há tempos vinha pedindo? Também... nunca sobrava dinheiro para comprar... mas hoje... sorri! Acaricia novamente o pequeno embrulho dentro da sacola. Mas hoje... Antônio não podia conter o sorriso ao imaginar a carinha do caçula traquino, quando lhe entregasse o embrulho colorido, contendo o carrinho que tanto queira.

Manhã fria e cinzenta em Curitiba!
Manchete da "Tribuna do Paraná":
Um homem é encontrado morto com duas facadas no coração.
Os bolsos revirados. A mão direita, enregelada, dura, prende a alça de uma sacola encardida com um embrulho de papel colorido desfeito...
Onde estaria o carrinho de pilhas?

Curitiba 1988

Um quadro cinzento em um domingo calado

Hélio Costa

O dia está frio, nublado e cinzento. As ruas de Curitiba estão desertas e quase vazias. Apenas alguns automóveis transitam. Lentos e silenciosos. As pessoas encolhidas e agasalhadas caminham tranqüilas e sem pressa.

Quase todas as lâmpadas estão apagadas. Apenas alguns anúncios luminosos, aqui e ali, emitem um pequeno brilho, ofuscado pela neblina espessa.

Um homem idoso passa encurvado com uns guarda-chuvas dependurado no braço esquerdo. Uma jovem loura, com passos largos e firmes, dobra a esquina. Grandes placas luminosas e coloridas afixadas sobre as portas fechadas das lojas, hoje não brilham e nem chamam a atenção dos transeuntes encolhidos e cabisbaixos, que caminham devagar.

Não há vento e as folhas das árvores não se movem. Parece que também estão encolhidas de frio neste domingo sem sol. Os altos edifícios, quietos e acinzentados, com suas janelas fechadas e as persianas descidas têm um ar de abandono e solidão.

É domingo. Está frio. O sol se escondeu. E Curitiba descansa.
Curitiba, rua XV - Agosto de 1987

A foto do gordo

Hélio Costa

Gordo era o cara da foto. Gordo daqueles bem escarrapachado. Escarrapachado? Você sabe o que é isso? Bem... deixa pra lá. Mas você entendeu não é mesmo? Conseguiu formar uma imagem do cara gordo da foto? Pois é. O cara era daquele tipo gordo esparramado. A foto era 3X4, daquelas que a gente tira pra documento, você sabe! Bem pequena! A cara do gordo ocupava quase todo o espaço. Só aparecia a cara. Ou fica melhor dizer "rosto", ou "face”? Não. Acho que "face" não. Fica meio esquisito. Rosto até que daria, mas parece que fica meio formal! Então vamos ficar com "cara" mesmo. Isso. "Cara" tá decidido então!

Bem... como eu lá ia dizendo, a cara do gordo ocupava quase todo o espaço da foto. Mas o engraçado é que quando a gente segurava a foto do gordo nas mãos, tinha-se a nítida impressão de que a foto era pesada. É verdade! Eu não sei se era só impressão ou a foto era realmente pesada...

Não. Isso não faz sentido... claro! Mas eu juro que a foto do gordo parecia pesada. Era imaginação minha. Só podia ser ! Mas escute: se você ficasse olhando pro gordo, ou melhor, ficasse olhando pra foto, quer dizer: ficasse olhando pro cara gordo da foto, ou para cara do gordo da foto, ou melhor ainda: pra foto da cara do gordo, você teria também a "nítida" impressão de que a foto da cara do gordo era pesada.
As.: O gordo da foto.

Quadrinhas de amor e saudade


Por: Hélio Costa

Saí pela estrada da vida,
procurando um grande amor.
Voltei com a alma ferida
pois só encontrei a dor.

O amor que procurava,
nem em sonhos encontrei.
Será que existia? Pensava...
o amor que imaginei.

....

Na madrugada umidecida,
pela neblina que caía...
um pássaro cantava à vida,
enquanto meu bem dormia.

....

Com teu olhar inebriado,
me machucas e me judias...
me fazes voltar a um passado
de sonhos e de fantasias.

Quadrinhas...

Por: Hélio Costa

Gosto muito de escrever
e de fazer verso rimado,
não consigo me conter
quando me sinto inspirado.

.....

Hélio Costa é o meu nome,
com ele fui batizado.
Nasci com sede e com fome
de fazer verso rimado.

.....

Por fazer verso rimado
me considero um artista.
Agradeço ao Pai Sagrado
por ter-me feito versista!

....

A inspiração do poeta

Hélio Costa

A inspiração do poeta...
veja que coisa engraçada:
Vai surgindo, de mansinho...
chegando sem dizer nada,
oculta na dor... na tristeza...
aparece bem disfarçada.

O poeta nem percebe,
nem sabe que é inspiração,
pega o papel... a caneta,
e escuta o coração.
As palavras, explodindo,
como lava de vulcão!

Palavras alegres ou tristes,
de amargura ou solidão...
de saudades do que passou...
de doce recordação.
Palavras - doces palavras,
palavras do coração!

A criança da favela

Hélio Costa

A criança da favela
abandonada, sem tutela
não recebe educação;
sem lar, sem casa e comida,
cresce à margem da vida,
como escória da nação.

Das ruas faz sua morada
e na fria madrugada,
tem a calçada como leito.
Enfraquecida ,com fome,
lentamente se consome
sem nada ter por direito.

Esse menino, abandonado,
que cresce desamparado
sem carinho e proteção...
Traz na alma a mancha escura
da tristeza; da amargura;
da amarga desilusão.

O menino da favela,
traz, por estigma a seqüela
de uma existência sofrida;
perde a noção de valores,
nas privações, nos horrores
e nas agruras da vida.

Criado sem esperança
o homem, que foi criança
torna-se mau; revoltado.
Tem nojo da sociedade,
destila ódio e maldade
por ter sido desprezado.

Colombo, 14/05/2000

Finanças de casais

Artigos interessantes:

Este saiu na Gazeta do Povo de 10/12/2007 no caderno de Economia, coluna do Mauro Halfeld e diz o seguinte:

Perfil daqueles que são disciplinados financeiramente:

1) fazem um orçamento, mesmo que simplificado;

2) quase sempre gastam menos do que ganham;

3) só fazem financiamentos de bens que vão se valorizar no futuro, como imóveis, por exemplo;

4) sempre querem aprender mais sobre finanças;

5) aproximam-se de pessoas que também são financeiramente bem sucedidas.

Agora, conheça o perfil daqueles que não são financeiramente disciplinados:

1) gastam mais do que ganham;

2) compram tudo a prazo porque querem tudo pra já;

3) não fazem planos nem orçamentos financeiros;

4) sempre reclamam que ganham pouco e que a vida anda super-difícil;

5) preferem não se incomodar com questões de dinheiro;

6) gostam mais dos amigos que também estão enrolados, financeiramente.

E então, a qual dos dois times você pertence? Ao dos disciplinados? Ou não?

Num país em que os juros do rotativo do cartão ultrapassam 100% ao ano (Dez 2007) e em que os juros dos cheques especiais chegam a 80% ao ano, não ser disciplinado significa passar por um enorme sofrimento.

Quem se rende aos apelos do consumismo perde boa parte de seu poder de compra ao longo da vida. Trabalham anos e anos só para pagar juros. Viram escravos do dinheiro dos outros.

Ao contrário, os que assumem o controle de suas contas têm a oportunidade de ganhar os maiores juros do mundo nas aplicações financeiras brasileiras e nos excelentes rendimentos oferecidos peças ações e pelos imóveis no Brasil.
Renovo meu convite para que você se junte ao time dos disciplinados financeiramente . E traga junto a sula alma gêmea!